Arquivado como:Rascunho, verbete da vez
30, Dezembro, 2007 • 09:05 1
BURILAR
1, Dezembro, 2007 • 05:15 1
IRONIA
poema originalmente publicado em Rascunho, em 11 de maio de 2005
Deixada, odiou-lhe tanto, sentiu-se tão traída, tão ultrajada, tão subvalorizada em seu amor que passou a menosprezar em abstrato a própria idéia do sentimento, a possibilidade de uma relação de verdadeira entrega.
Entregou-se deliberada e despudoradamente a homens que a satisfizeram mais do que ele jamais conseguira. Sentiu o prazer, e o sentia potencializado, tendo na mente que, cama a cama, desfazia-se progressivamente no seu coração a lembrança daquele passado injusto de entrega sem o devido retorno.
Até o dia em que o reencontrou, olhou-lhe os olhos e percebeu que ele nunca deixara de amá-la. E, lembrando da forma como a vingança lha envenenara a vida, chorou de remorso, por ter destruído em si mesma o sentimento mais lindo que já sentira. Sentenciou, enfim, que ela, e ninguém mais, era a culpada pelo fim do amor entre eles.
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