originalmente publicado em Rascunho, em 07 de março de 2004
Pouco antes de nove horas da manhã de uma quarta-feira, levava sua mãe ao trabalho. No som do carro, “A Flor“. Ela pergunta “que banda é essa”. Ele assume o ar de desprezo e responde “Los Hermanos“, certo de que ouviria um displicente “não conheço” ou no máximo um “tem ‘Anna Júlia‘ nesse CD?”. Ela não apenas diz que acha legal o som da banda, mas ainda que nas últimas férias os viu tocar com Os Paralamas do Sucesso no Rio de Janeiro. Feitas as contas, perceber que até então ambos tinham visto o mesmo número de shows do Los Hermanos. E, considerando que desde o Porão do Rock de 2003 já haviam se passado oito meses, a lembrança dela era bem mais recente.
Nove e meia, Conjunto Nacional ainda vazio, saindo das Lojas Americanas para ir ao caixa automático do Banco do Brasil, extremamente irritado. Só depois de enfrentar toda a fila lembrou que com um só cheque não poderia pagar a conta da loja e a do cartão. Na saída da loja, passando sob um ridículo cartaz do Rouge e ao lado de uma banca de micro-celulares de preços hercúleos, percebeu que no sistema de som da loja rolava “Bring Me To Life“, do Evanescence. Lembrou sem saudade dos dias em que ouvia a doméstica acompanhar entusiasmada Backstreet Boys no rádio.
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