Meu ex-colega de Faculdade de Direito, Tiago Belotti, e Rodrigo Luiz Martins juntaram uma boa turma e produziram “A Capital dos Mortos“, longa metragem de 90 minutos, primeiro filme brasileiro sobre zumbis, que trazem clássica a perambulação de mortos-vivos a Brasília, no melhor estilo George Romero.
Entre a idéia inicial e a finalização foram sete anos, atravessados com todas as dificuldades de se fazer cinema independente no Brasil. Um verdedeiro terror (se me permitem o trocadilho), que foi ultrapassado com muita criatividade e paciência pelos produtores, que contaram com a participação de vários figurantes voluntários, sempre convocados pela comunidade do filme no Orkut, além de vários companheiros da cidade que trabalham com a 7ª arte.
Não é muita coincidência?! Justamente na semana em que Lost retoma a sua 4ª temporada, o Padre Adelir Antônio de Carli ganhou notoriedade ao se perder durante a tentativa de, percorrendo 180 km entre Paranaguá e Ponta Grossa, bater o recorde de tempo de vôo com balões de festa inflados com gás hélio, permanecendo 20 horas no ar, e atrair notoriedade para a Pastoral Rodoviária.
Só pra finalizar, é bom frizar que essa modalidade de “balonismo” não é novidade. Em 1982, na Califórnia, Lawn Chair Larry usou uma arma de chumbinho para descer e teve mais sorte. Hoje conta com uma menção honrosa no Darwin Awards, para o qual a proeza tupiniquin já é candidata. Vai Brasil!
Originalmente publicado em Rascunho, em 09/01/2005
- Desculpa, eu cansei.
- Por favor, não faça isso. Seu talento é muito grande pra você abandonar tudo agora.
- Nunca foi talento. No máximo força de vontade.
- Se assim ainda fosse, você progrediu tanto. Mais do que qualquer um poderia esperar.
- Mas eu queria. Não quero mais.
- O quê mudou? Você não era assim. Não faça isso…
- Deixe-me ir. Se eu estou deixando tudo é porquê eu não tenho mais razão para continuar.
- Eu não entendo. Seja sincero comigo, qual o motivo disso? Diz pra mim.
- Ok, quem sabe a verdade lhe faça desistir de insistir. Leia-a em meus lábios: eu nunca gostei. Nem por um segundo sequer.
- Como assim?! E aquele brilho em seus olhos…
- A única causa pela qual durante todo esse tempo fui capaz de demonstrar qualquer deleite ao acordar tão cedo para fazer aulas de balé bisemanais está em pé na minha frente, impedindo-me de seguir o meu caminho e me forçou a segurar as lágrimas enquanto eu tentava articular essas malditas frases evasivas.
- Eu nun…
- Deixe-me ir, professora.
Na mente segue, passando, independente Acelera e freia alheio ao que se sente Diametralmente oposto e inconveninente
Flui num fluxo ilógico, absorvente, absurdo
Escorre, congela, foge, atropela, muda tudo
As coisas e a percepção delas nesse mundo
Palco de mutações, decaimentos e renascimentos Furta recordações, movendo, moendo, retorcendo
Frusta planificações, trazendo desapontamentos
Encadeamento descontrolado de acontecimentos
Carrega e prende no passado os bons momentos
O exílio da memória traz mera lembrança presente
Do desejo de pra sempre, mas que nunca novamente
Com uma pegada western (que lembra muito uma canção do Muse), The Age Of The Undestatement leva o mesmo nome do álbum a ser lançado e ganhou um clipe com temática Russa, que tem coral militar em Moscou, loira patinando no gelo e casacão na neve.
She’s playful the boring would warn you “be careful of her brigade”
In order to tame this relentless marauder move away from the parade
And she was walking on the tables in the glass house
Endearingly bedraggled in the wind
Subtle in her method of seduction
The twenty little tragedies begin
And she would throw a feather boa in the road
If she thought that it would set the scene
Unfittingly dipped into your companions
Enlighten them to make you see
And there’s affection to rent
The age of the understatement
Before the attraction ferments
Kiss me properly and pull me apart
Affection to rent
The age of the understatement
Before this attraction ferments
Kiss me properly and pull me apart
Ah…
And my fingers scratch at my hair
Before my mind can get too reckless
The idea of seeing you here
Is enough to make the sweat grow cold
Entre manifestações estudantis e resistências institucionais; entre coberturas superficiais e informações consistentes; entre o exercício da cidadania e a apropriação indébita; entre o protesto e a complacência; sempre há espaço para a criatividade.
Em tempos de encerramento do campeonato carioca, esse cartaz, sonoro e genial, nascido entre os estudantes ocupantes da Reitoria da UnB, que protestam, entre outras coisas, pela renúncia de Timothy Mulholland.
Classe A essa levada que ele bolou. Se você, como eu, ficou com vontade de tocar no seu violão (ou no do seu amigo que sempre resiste eu deixar você tocar), faz assim, repetidamente:
A -5---5--8-------------5-8-----
E -----------6--7---6-7-----5--6
A -5--8---------5---------------
E -------7--6------6--5--5------
originalmente republicado em Varanda, em 20/12/2004.
Após mais um dia de cansaço corporal e mental (o que já se lhe tornara habitual), não se conteve e adormeceu antes de preparar o café da manhã seguinte, reler os e-mails ou mesmo desligar a TV. Freudianamente, sonhou que, sem maiores explikafkações, o dia passara a ter trinta horas. Seis horas a mais.
De imediato, sentiu a tranqüilidade. Mais sono, mais calma no trabalho, menos pressa no almoço. Voltar a despender alguns minutos ouvindo as músicas de que tanto gosta, lendo as letras e estudando os discos. Ah, ler livros com figuras.
Foi nesse momento que, com os raios da maldita alvorada doendo em seus olhos, acordou. Parecendo-lhe que dormira tão pouco, sentia-se ainda cansado. Olho no relógio e ao mesmo tempo em que, triste, notou que os dias continuavam tendo 24 horas, percebeu que aquele específico já começara mal: estava atrasado.
O vocalista do Pearl Jam, Eddie Vedder, compôs e tocou toda a trilha sonora do maravilhoso filme “Na Natureza Selvagem” (“Into The Wild”), de Sean Penn, que conta a história verídica de Christopher McCandless, que em 1990, aos 22 anos, abandonou uma vida de conforto para se testar em uma experiência solitária sob o condinome de Alexander Supertramp (algo como “Supervagabundo”). Ao final, sua conclusão foi a frase “Happiness only true when shared“.
Para a música “Guaranteed“, cuja letra remete diretamente à vida de Chris, Eddie embala um violão e “contracena” com imagens da película em seu primeiro videoclipe solo, rodado em 35mm, obra do diretor Marc Rocco:
Para mim, Eddie é o artista musical mais compelente de nossa geração. Seu jeito de escrever canções coloca você num nível visceral level seu jeito de contra histórias sempre faz diferença, do mesmo jeito que um grande filme faz – cada vez que você ouve suas palavras, elas engendram uma experiência diferente nos seus coração, alma e mente. Escutar Eddie é a mesma experiência para mim, musicalmente, que assistir a filmes de Scorsese ou Truffaut é visualmente. Foi um privilégio e uma honra colabroar com Eddie numa mídia que ele vista tão raramente. Eu espero ter retratadovisualmente a canção ‘Guaranteed’ de um modo que deixe o espectador tão emocionalmente mexido quanto eu fiquei na primeira vez que ouvi a mísica de Eddie para ‘Na Natureza Selvagem’.
O que me chamou a atenção foi que vídeo havia sido postado no You Tube, mas a Sony/BMG haviam encrencado por conta de infrações a copyrights. Daí o Pearl Jam interveio e autorizou. Tem coisas que só o povo de Seattle faz pra você.
Bom, chega de papo:
On bended knee is no way to be free
Lifting up an empty cup I ask silently
That all my destinations will accept the one that’s me
So I can breath
Circles, they grow and they swallow people whole
Half their lives they say goodnight to wive’s they’ll never know
Got a mind full of questions and a teacher in my soul
So it goes
Don’t come closer or I’ll have to go
Holding me like gravity are places that pull
If ever there was someone to keep me at home
It would be you
Everyone I come across in cages they bought
They think of me and my wandering but I’m never what they thought
Got my indignation but I’m pure in all my thoughts
I’m alive
Wind in my hair, I feel part of everywhere
Underneath my being is a road that disappeared
Late at night I hear the trees, they’re singing with the dead
Overhead
Leave it to me as I find a way to be
Consider me a satelite for ever orbiting
I knew all the rules but the rules did not know me
Guaranteed
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