Hiperfície

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Unificação de numerosas intervenções do autor na Hiperfície

Rigoroso

originalmente publicado Sacada, em 09/09/2004

E hoje carrega no peito uma pedra de gelo como proteção
Reação ao frio que sentiu ao ser exposto pela solidão
Ao inverno rigoroso que sempre seguia o fim de cada relação

A despeito da profundidade do olhar, do sabor dos lábios
De quão intenso o brilho do sorriso, ou macios os braços
Não haverá friozinho na barriga a reaquecer-lhe o coração

Nem ninguém ousará maljugá-lo por não mais se deixar ferir
Como condená-lo, ele que só se congelou pra não se derreter
Por ter brandida na lembrança a viva dor de ver o amor fenecer

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Para que o Professor Jose Geraldo Souza Junior seja o novo Reitor da Universidade de Brasília

Reproduzo o depoimento do sociólogo português que recebi por e-mail, encaminhado pelo Prof. José Geraldo

Boaventura de Sousa Santos, Universidade de Coimbra, Universidade de Madison-Wisconsin e Universidade de Warwick

Madison, 29 de Agosto de 2008

Tenho dado crescente atenção e esforço à luta pela defesa da Universidade pública por pensar que, no limiar do Século XXI, ela está ameaçada mais do que nunca pela mercantilização do saber, pela proletarização dos universitários, pela imposição do conformismo estudantil, pela precarização dos funcionários e, em geral, pela destruição das práticas democráticas, por mais limitadas que sejam. É uma defesa complexa porque, para ser eficaz, tem de propor transformações profundas, o que não é nada fácil dado o peso das inercias e dos corporativismos existentes. Tão profundas que constituem o que chamo de utopia realista.

À luz disto, é facilmente comprensível o gosto que eu teria em ser hoje professor da Universidade de Brasilia. É que desse modo teria a possibilidade de lutar pela eleição de um Reitor que, em meu entender, representa hoje no Brasil, melhor que ninguém, essa combinação dificil entre a coragem da defesa e a coragem da transformação da universidade pública. Falo obviamente do Professor Jose Geraldo Souza Junior cujo compromisso académico, ético e político com a universidade não admite contestação. A isso, que é quase tudo, acresce uma notável capacidade de gestão administrativa e política e de liderança de equipas sempre prontas a combinar o entusiasmo e a dedicação com o mais rigoroso profissionalismo.

Estou tão certo de que a Universidade de Brasília estará à altura de eleger o Prof. Jose Geraldo quanto de que, se tal suceder, ele estará à altura de a conduzir a um futuro seguro e luminoso.

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O Direito “perdido” na Veja

Recebi o texto abaixo por e-mail (Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008, 20:12:32) e, com autorização do autor, reproduzo-o na íntegra, com adição de links:

Onde achamos o Direito? Seria na Veja?

Como bacharel em Direito e participante de um sério trabalho do grupo O Direito Achado na Rua, o jornal Constituição & Democracia, não poderia me calar diante da discussão que a revista Veja lançou e acalorou na sua última edição. Segundo o artigo públicado nas páginas 64 e 65, sob autoria de Reinaldo Azevedo, há uma discussão se o Direito é achado na lei ou nas ruas.

É verdade que o ilustre Ministro do STF Gilmar Mendes disse que “O direito deve ser achado na lei, não na rua” (grifei). Mas em nenhum momento foi dito o que o autor do artigo estampou em seu título: “O Direito pode ser achado na lei” (negritei e sublinhei para destacar a má interpretação sobre o que o ministro disse). Segundo o GIlmar Mendes, e isso é notório, o direito deve ser encontrado na lei. E não só na lei. O Direito pode, e deve, ser amparado por muitas outras faces: princípios, costumes, ética, moral, jurisprudência, doutrina e, (porque não), na própria sociedade, seja nas ruas, nos movimentos sociais ou nas necessidades de classes.

“Aplausos, então, para o árbitro”, como o autor do artigo propõe, fazendo alusão ao paralelo que em seu parágrafo introdutório faz com o Futebol, é um absurdo. Primeiro porque em nenhum momento parece haver oposição direta e concreta entre a frase de Gilmar Mendes e o O Direito Achado na Rua. Segundo porque qualquer comparação do Direito com o Futebol é rebaixar aquele a um nível que não merece nem medalha de bronze.

O Direito está além dessas discussões que, às vezes, o sensacionalismo tenta levantar. Não importa onde o Direito é achado. O que importa é que ele chegue até às classes.

A sociedade não existe para atender às leis. É o inverso que vale. E, no melhor entendimento de O Direito Achado na Rua, o trabalho do grupo NÃO visa “praticar de ‘ilegalidade não-selvagem’ em nome da ‘igualdade de classes’”. Sua missão NÃO é “se opor ao legalismo”. Do que, então, reclama o respeitado autor? Para quem ele bate o martelo? A verdade é que ele tenta cravar prego em pedra, ou seja, buscou polêmica fora da temática em questão. Mas com que propósito? Estaria aqui estampado o tal partidarismo de que ele tanto fala?

É óbvio que não é função do Judiciário legislar. Para isso, existe o Legislativo, ora. Mas se lacunas precisam ser preenchidas, antes que isso seja feito por membros do Judiciário do que por membros da imprensa que mudam as aspas para destacar um título e causar polêmica.

Gustavo Di Angellis
Bacharel em Direito
Pós-graduando em Direito Penal e Crime Organizado

Acho que não preciso falar mais nada. Talvez apenas uma ressalva ao Futebol

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“Você não se acha mais inteligente?”

Reproduzo um trecho de uma reportagem da Folha Online sobre uma palestra da Marta Suplicy, ontem, quinta-feira, na FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas), na cidade de São Paulo, onde ela é candidata à Prefeitura.

Antes de deixar o prédio, a ex-prefeita foi parada por Caroline Cordeiro, 24, estudante do quinto ano de direito. Ela perguntou para Marta se ela não se achava mais preparada do que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ocupar a Presidência da República pelo fato do presidente não ter ensino superior. A candidata disse que Lula era mais preparado do que ela porque aprendeu de outras formas, como atuando à frente do Sindicato dos Metalúrgicos.

Mesmo assim, a estudantes insistiu: “Você não se acha mais inteligente?”, então a candidata respondeu: “Eu acho que você não entendeu o que estou falando. É uma pena.”

Veja a postura de uma estudante que, mesmo apoiando a candidata, adota uma postura elitista com relação ao ensino formal. Veja bem, uma estudante de direito,  do quinto ano, “pronta para o mercado”. Que vai atuar na promoção de direitos da pessoas.

Sublinho também, com certa decepção, a falta de paciência da candidata em tentar argumentar com a estudante. Ao final, não houve diálogo, não houve troca. Cada uma terminou a conversa pensando exatamente da mesma forma que pensava antes.

É uma tensão da democracia que não é nova nem é exclusiva do povo brasileiro. Mas me incomoda profundamente. Fico muito incomodado em perceber que muita gente, inclusive muita “gente boa”, pensa em analfabetismo como ingenuidade, ou mesmo burrice, falta de capacidade ou preparo para exercer um cargo público, e presupõem sempre, que alguém com ensino superior, independente da área de formação, seria melhor.

Não discordo de que o estudo formal seja um direito social, porque um benefício, algo desejável e exigível. Não discordo de que uma educação de qualidade seja uma obrigação do Estado para com os  seus cidadãos. Mas jogar com esse argumento para furtar a cidadania plena daqueles que, por qualquer motivo que seja, não tem educação formal, eu acho uma tremenda sacanagem (no mau sentido). Sacanagem porque essa postura é parte da compaixão para com uma pessoa exatamente para relegá-la a um patamar inferior. É uma pena (dó) que impõe uma pena (punição).  É uma lógica perversa, cruel, porque oculta, difícil de perceber e, portanto, de atacar.

Vamos à desconstrução desse raciocínio, por meio de um breve  exercício de memória: quantas pessoas com ensino superior já foram eleitas e fizeram inúmeras besteiras? Quantos corruptos se formaram nas mais conceituadas instituições, do Brasil e do mundo?

Nem a honestidade nem o compromisso com a coisa pública, com uma busca por um bem comum (qualquer que ele seja): nenhum dos dois guarda relação de proporção com a quantidade de anos de estudo. As minorias, os oprimidos, os excluídos, entre todos esses grupos há inteligência e civilidade.

Não “vale” dizer que seria ainda pior se os “despreparados” estivessem no poder. Não é menos perverso pensar que “a chance é maior” de haver inteligência entre os ricos e bem afortunados. Essa estatística vem de onde? Quem fez essa pesquisa? Cadê os números? Alguém contou realmente o número de honestos entre as classes sociais, os gêneros, os níveis de instrução? Não. É apenas o preconceito se manifestando mais uma vez, travestido, como sempre, de “lógica”, de “óbviedade”, de “evidência”.

Não digo que o Brasil ou qualquer lugar do mundo estaria necessariamente melhor, do ponto de vista da administração, da realização de políticas públicas. Não estou pedindo para votarmos apenas nas minorias, porque elas vão nos “salvar da danação”. O meu ponto não é esse.

Estou dizendo que o Brasil, o mundo, estaria melhor se respeitássemos as pessoas que são diferentes. Não é “respeitar apesar da diferença”. É respeitar a diferença. Essa é uma diferença que, por si só, já seria uma grande diferença.

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Heavy is the head that wears the crown

originalmente publicado em Sacada, em 03/07/2004

Aqueça-se com o maldito manto que matou nossa relação
Majestade da solidão, eu apenas tenho pena do seu coração

Não volto a completar-lhe o par, não que eu guarde rancor
Mas seu querer mandar só me fez não querer esse amor

Mirando moinhos de ciúme, guerreava contra suas miragens
Esquartejou o que houve de bom, restou um reino selvagem

Masmorra, bola, ordens, gritos, coleiras e telefonemas
E a mim, que sonhara estar junto a ti, só me restou fugir

Realeza da tristeza, que o cetro e trono lhe façam bem
Que a coroa não lhe pese agora que está sem ninguém

Não restaram súditos no castelo da opressão
Não se iluda, desta vez não haverá um perdão

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Direitos das minorias: Necessidades versus lógicas abstratas

Artigo originalmente publicado em setembro de 2007, no jornal Constituição & Democracia nº 16 – América Latina: Desafios para a democracia

É comum que se verifique um triste paradoxo quando se trata de debater direitos de grupos sociais historicamente alijados. Seus detratores os elevam publicamente ao patamar da igualdade apenas para privar-lhes do direito de se insurgir. Uma vez tomados como iguais, desaparece a justificativa para lutar pela igualdade e se afiguram absurdos quaisquer iniciativas que, pressupondo a existência da discriminação, busquem descontrui-la mediante a obtenção de vantagens. O importante é não esquecer que essa discriminação “pressuposta” só não é real nas hipóteses “lógicas”; só é desconsiderada para efeitos silogísticos.

Crianças, deficientes, homossexuais, idosos, indígenas, judeus, mulheres, negros e várias outras “minorias” têm encontrado forte dificuldade em alcançar juridicamente seus direitos graças a pensamentos reacionários que se travestem de lógicos, mas, para manter as coisas como estão, imaginam uma realidade inexistente.

Não, não é nem nunca foi a mesma coisa chamar um negro de negro e chamar um branco de branco. Não é irrelevante que os trabalhos domésticos sejam desempenhados por uma mulher ou por um homem. A terra têm um significado próprio para os índios. As crianças não são pequenos adultos. E é por isso que alguns grupos merecem o reconhecimento de sua dignidade: porque lhes ainda não foi reconhecida.

Qualquer comparação entre um grupo desprestigiado e sua contraparte tende a ser falaciosa. Qualquer pensamento direcionado à abstração da situação apenas leva a conclusões divorciadas da concretude desse dado social. Pensar de forma genérica e ignorar as contingências sociais que compõem o nosso ambiente é um escorregão lógico que apenas conduz à idéias impalpáveis.

Desqualificar lutas legítimas, encampadas de forma pública e autêntica, por conta de uma mera conjectura, possível mas improvável, é fechar os olhos para os desequilíbrios cotidianamente observáveis. O significado social das diferenças não pode ser deixado de lado, especialmente quando é o caso de respeitá-las, em nome da construção da dignidade humana, cuja materialização não advém da natureza ou está pronta e acabada em algum lugar ideal, mas sim depende de permanente reafirmação prática.

E os seres humanos somente são dignos se considerados num espaço de alteridade em que seja possível, mais do que a tolerância e longe da superação, a plena vivência da diversidade. Se a sociedade abarcasse sua diversidade com plenitude, não haveria tantas lutas por reconhecimento de direitos.

A iniciativa de promover a pluralidade pelo direito, essa emancipação pela regulação, desperta óbvios questionamentos. Provavelmente a ânsia legislativa tenha como calcanhar de Aquiles o limite dos efeitos da lei, texto cuja aprovação, para o bem ou para o mal, não tem o condão de alterar a realidade de forma imediata. Nem o maior cuidado aos detalhes gramaticais ou procedimentais, nem mesmo um dedicado exercício de previsão de prováveis conseqüências devem ser supervalorizados. A realidade impõe riscos contra os quais não há garantias. Quem legisla, assim como qualquer um que escreve, não pode prever inteiramente o futuro, da mesma forma que não compreende integralmente o presente, ou o passado.

Mas o estabelecimento de normas públicas, de parâmetros comuns de certo/errado, certamente é um componente de nossa sociedade dotado de significado real e que implica conseqüências nas relações  simbólicas existentes. Nessa perspectiva, e considerando a formatação a partir de uma Constituição positivada, o Estado não pode se abster de conferir garantias legais aos grupos que por elas lutam em nome de sua dignidade.

Como exemplos, a criação de sistemas de cotas e criminalização de condutas específicas contra homossexuais comumente são vistas com receio e acendem um alerta contra a privação de direitos daqueles que não estão incluídos entre os beneficiados pela lei. Mas basta ponderar que o benefício legal decorre de uma batalha social por respeito; que o benefício legal se justifica pelo desprestígio simbólico difuso na sociedade.

Em vez do “pé atrás”, essas iniciativas devem ser vistas como um pontapé inicial, um ponto de partida para um processo maior, que culmine na circulação social de uma material igualdade democrática: uma igualdade decorrente não do fim das diferenças, mas do respeito integral ao outro, àquele que não sou eu.

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Lei do eterno retorno

microconto livremente inspirado na crônica de Mateus Baeta Neves.

Quando papai percebeu que a sujeira dos meiões grudou no banco de trás do carro novinho, levei tanta bronca, ouvi tanto desaforo,  foi tanto berro, que jurei nunca mais entrar no carro dele de novo. Esse foi o meio termo que encontrei entre nunca mais falar com papai e nunca mais ir jogar futebol. Olhando fixamente para aquele tecido fedido (antes branco, agora um caleidoscópio de marrom e verde) decidi que todo sábado de tarde, depois do jogo dos adultos (que é quando o sol fica bonito), continuaria me encontrando com meus amiguinhos no campão do clube; mas eu voltaria para casa de ônibus, de bicicleta ou a pé. Nunca, nunca de carro.

Minha resolução não durou muito mais que dois meses. Depois das férias do fim de ano, mamãe me convenceu a deixar que ela me buscasse no clube. Ela dizia que a cidade estava ficando perigosa para uma criança andar por aí daquele jeito; eu só estava mesmo com saudade do conforto de um carro, especialmente um que não fosse o do papai. Ainda assim, aquelas poucas oportunidades em que voltei  só para casa, talvez pela introspecção, ficaram marcadas em minha memória.

No dia em que completei dezoito anos faltavam apenas três dias para o início das aulas práticas na auto-escola. Com a merreca que recebia dando aulas particulares para vestibulandos, fiz questão de pagar todo o meu processo de habilitação. E, sem ajuda e em segredo, tracei um plano no calendário que se realizou perfeitamente. No primeiro sábado depois que recebi a minha carteira provisória pelo correio, fui e voltei para o clube no carro da mamãe. Atrás daquele volante, eu era senhor do meu futebol, do meu meião sujo, da minha vida, da minha liberdade de ir e vir.

Hoje, muitos e muitos sábados depois, algumas coisas mudaram: tenho um emprego de verdade, tenho meu carro e agora jogo no horário dos adultos; outras coisas, continuam as mesmas: meus amigos, meu meião sujo e ainda moro com meus pais. É por essas coisas todas, juntas, que me lembrei dessa história toda.

Enquanto me afastava do barulhento debate das jogadas de meia-hora atrás (que continua tenso exatamente como nos tempos de infância) era visível a indisciplina dos meus passos. A culpa é da cervejinha pós-pelada, essa paixão adquirida nos tempos de adulto, mas que me fez voltar a me sentir criança, completamente preocupado com o estado higiênico dos meus meiões: mamãe já não dirige mais, a lei seca está em vigor e pela terceira vez no mês papai se ofereceu pra vir me buscar.

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Transtorno obssessivo compulsivo

(…) Desde a infância, sempre que deixo cair alguma coisa no chão, tenho de apanhá-la imediatamente, seja o que for, pois sinto que, se não o fizer,a lguma desgraça acontecerá, não a mim, mas a alguém de quem gosto e cujo nome começa com a inicial do objeto caído. O pior é que nada pode me conter quando deixo cair uma coisa no chão, de nada valendo que seja outra pessoa a apanhar essa coisa, porque, se não for eu, o malefício atuará da mesma forma. Tenho passado muitas vezes por louco quando o faço, quando me precipito para apanhar um lápis ou uma folha de papel que se me escapuliram da mão, como naquela noite do torrão de açúcar no restaurante da rue Scribe, um restaurante bacana, com montões de gerentes, putas de capas prateadas e casais muito bem organizados. Estávamos com Ronald e Etienne. Deixei cair um torrão de açúcar Read the rest of this entry »

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A C H A D O

The Darwin Awards salute the improvement of the human genome by honoring those who accidentally remove themselves from it…

Quem ainda se lembra do famigerado Pe. Adelir Antônio de Carli, também conhecido como o novo brasileiro em Lost? Pois não é que assim que o pessoal finalmente saiu da ilha, garças a um barco petroleiro, ao final da 4ª Temporada, o corpo do balonista foi  encontrado por um rebocador a serviço da Petrobras.

Tubarão

Com essa misteriosa coincidência, que contrariou as expectativas sobre o triste fim do Pe. Adelir (com boatos que incluíam ele ter virado chupeta de tubarão), o nosso “balonista” foi definitivamente honorificado como Prêmio Darwin pela sua dedicação em promover a seleção natural da humanidade! Mais do que isso, ele alcançou o nível do Duplo Darwin.

Esse nome (que mais parece de um salto da Daiane dos Santos) se refere ao fato de que apenas por ser celibatário, Adelir já tinha se comprometido a não transmitir seus genes. Não obstante, o balonista brasileiro resolveu deixar-se guiar pelo bom e velho Deus (em vez do tecnológico GPS) e pegou um atalho aéreo para o paraíso.

Então, devagar com a pressa, deixemos de ganância. Se tudo o mais falhar lá em Pequim, já temos o nosso herói na história de 2008.

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Encontros, sincronicidades e coincidências

Em hipercontato com uma amiga, uma linha sincrônica (que envolveu até o grego Aristóteles) me trouxe à memória o poema La Tierra Giró para Acercarnos, escrito por Eugênio Montejo, em 1938, citado no filme 21 gramas. Abaixo, tradução livre, por mim mesmo.

A Terra girou para nos aproximar

A Terra girou para nos aproximar
girou sobre si mesma e em nós,
até finalmente nos juntar nesse sonho
como foi escrito no Simpósio.
Passaram-se noites, neves e soltícios;
passou o tempo em minutos e milênios.
Um caminhão que ia para Nínive
chegou ao Nebrasca.
Um galo cantou longe do mundo,
na pré-vida a menos mil de nosso pais.
A Terra girou musicalmente
levando-nos a bordo;
não cessou de girar um só instante,
como se tanto amor, tanto milagre
fossem apenas um adágio há muito escrito
entre as partituras do Simpósio.

Para fechar a cadeia de encontros, descobri que Eugênio morreu em junho desse ano.

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