Hiperfície

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Unificação de numerosas intervenções do autor na Hiperfície

Chico explica a crise econômica

Muito já se falou sobre a atual crise econômico-financeira que surgiu no mercado imobiliário dos EUA. Li algumas analogias, como a do Bar do seu Biu (ou seu Zé), uma com Pokemon, uma para leigos e uma supostamente “sem economês“, todas tentando explicar como se formou a bolha de crédito imobilliário que agora estourou, fazendo muito barulho mundo afora.

Bom, didática por didática, eu fico com a explicação que o Chico Buarque escreveu em mil novecentos e Brasil tri-campeão (um dia eu falo mais sobre essa música):

O malandro na dureza senta à mesa do café
Bebe um gole de cachaça scha graça e dá no pé

O garçom no prejuízo, sem sorriso, sem freguês
De passagem pela caixa dá uma baixa no português

O galego acha estranho que o seu ganho tá um horror
Pega o lápis soma os canos, passa os danos pro distribuidor

Mas o frete vê que ao todo há engodo nos papéis
E pra cima do alambique dá um trambique de cem mil réis

O usineiro nessa luta grita: ponte que partiu
Não é idiota, trunca a nota, lesa o Banco  do Brasil

Nosso banco tá cotado no mercado exterior
Então taxa a cachaça a um preço assustador

Mas os ianques com seus tanques têm bem mais o que fazer
E proíbem os soldados aliados de beber

A cachaça tá parada, rejeitada, no barril
O alambique tem chilique contra o Banco do Brasil

O usineiro faz barulho com orgulho de produtor
Mas a sua raiva cega descarrega no carregador

Este chega pro galego, nega arrego, cobra mais
A cachaça tá de graça mas o frete, como é que faz?

O galego tá apertado, pro seu lado não tá bom
Então deixa congelada a mesada do garçon

O garçon vê um malandro, sai gritando: pega ladrão
E o malandro, autuado, é julgado e condenado culpado pela situação

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