Hiperfície

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Unificação de numerosas intervenções do autor na Hiperfície

Nós, a rede

O histórico julgamento espetacular do The Pirate Bay, que conta agora nove dias, vai desvelando, como se poderia esperar do direito achado na rede, uma mobilização empolgante a favor da livre circulação de informações, traçando novos contornos para os aspectos patrimoniais do direito autoral.

Um fato que já havia chamada atenção foi a manifestação pública do Ministro da Educação do governo norueguês, Bard Vegar Solhjell, que em seu blog se pronunciou a favor de abraçar a causa do compartilhamento de arquivos pelo sistema P2P.

Agora seu partido, o Rødt (Vermelho), lançou uma iniciativa, chamada “É assim que um criminoso se parece“:

Compartilhar arquivos é bom, permitindo às pessoas compartilhar música, filmes e cultura. Hoje quatro dos pioneiros do compatilhamento de arquivos estão em julgamento na Suécia, em mais uma tentativa das indústrias do cinema e da música de parar a inovação e o desenvolvimento tecnológicos pela força. Read the rest of this entry »

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Pequeno crepúsculo

Ao final da tarde, início da noite, o ponteiro do relógio ia empurrando o dia para detrás do horizonte.

Mas antes, lá no limite do encontro da terra com o céu, o sol insistia em derramar sua luz por uma fresta entre as nuvens, ainda que de um jeito bem modesto. A imagem lembrava muito uma pequena casa, à beira de uma estrada deserta, com a lâmpada amarela da frente acesa.

A cena não durou muito tempo e a máquina fotográfica do celular não tinha condições de captar a beleza que seus olhos viam. Um momento de solidão para ser guardado em toda sua amplitude apenas na memória. Aliás, provavelmente a memória daria um jeito de, primeiro, aumentar o valor daquele instante para além da realidade; depois, iria esquecer, substituir por outro evento natural igualmente sublime a fugaz.

dawnAchou melhor escrever um texto e fazer uma foto, ainda que ruim. Pelo menos isso ficaria registrado e poderia ser compartilhado, claro, na ínfima medida do possível.

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Em tempo…

originalmente publicado em Rascunho, em 24 de outubro de 2004

The Simpsons Series 13 Playmates Action Figure Dr. Stephen Hawkingscaled.70Stephen%20Hawking.jpgQuando terminei o texto, hesitei em publicar. Reli e achei que o pretenso humor talvez não compensasse o que ele tinha de insensível, quase maléfico, sem coração, desconsiderando e pisoteando valores morais da sociedade, estraçalhando com o respeito ao próximo. Admiti, por exemplo, que, se fosse católico, caberia como castigo a ordem de rezar uma quinhentas ave-marias pra não ir pro inferno.

Mas não demorou e fui alertado pela menina shoyo de que o que eu imaginara como uma extrema filhadaputagem capitalista já tinha sido posta  em prática e à venda havia algum tempo. Quanto inocência a minha, afinal, imaginar limites para a indústria de brinquedos infantis.

Sinceramente, nada mais me choca. Daqui a pouco a grow, a estrela, sei lá quem, vai querer lançar uma miniatura articulada de um “bebê anencéfalo“, acompanhado de um pequeno acórdão do STF e tudo o mais!

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O julgamento espetacular

Segue nota oficial* assinada por The Bureau for Piracy and The Pirate Bay sobre o julgamento pela Justiça Sueca, o chamado Spectrial.

Antes chamo atenção para o tom coletivo do texto (em especial na parte da “construção do futuro”), que revela uma assunção consciente do poder do direito achado na rede. Nas notícias já se pode perceber que os resultados estão sendo positivos para a democracia (além, é claro, de episódios que já nascem folclóricos, como a já famosa defesa King Kong). Mas já se delineam alguns riscos para os direitos dos internautas pelo mundo afora, que analisarei ao fim do julgamento.

*Tradução orgulhosa de um internauta a partir de versão em inglês.

O julgamento contra The Pirate Bay que [começou dia 16 de fevereiro de 2009] em Estocolmo, Suécia, é uma das questões mais importantes de nosso tempo. Nosso adversário basicamente que fechar a internet e remodelá-la em algo semelhante a uma maquina de refrigerante servindo entretenimento. Durante o julgamento, os promotores juntos com um círculo de representantes de um modelo de negócios falido irão armar um teatro fajuto ao contar histórias designadas para convencer a corte de que The Pirate Bay na verdade é uma ameaça à sociedade.

O que difere esse julgamento da maioria dos julgamentos Read the rest of this entry »

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Casca de noz e criptonita

originalmente publicado em Rascunho, em 19 de outubro de 2004

- Homens, pensemos nisso como uma homenagem sincera. Uma forma de construir a imagem de um verdadeiro herói. Não estaríamos fazendo outra coisa senão reconhecendo o valor de um sujeito e tranformndo-o em um notório exemplo a ser seguido. Se estaríamos sendo desumanos? Penso sinceramente que não. Usaríamos claramente suas limitações como prova viva de que a humanidade pode ir além e driblar a seleção natural. Com uma adequada estratégia de marketing, mais que ser conhecida, sua história de vida passaria a servir de farol para as pessoas do mundo inteiro. Sem falar na decorrente habitualização cultural ao diferente, àquele que não é igual, ao outro, e isso tudo de uma forma bem sutil. Ademais, qual é a conseqüência de nosso trabalho se não a construção subliminar de referências de comportamento no inconsciente  das crianças.

- Olha, com todo o respeito, você apresenta bem seus argumentos, defende bem suas tese e foi um belo discurso. Mas não adianta insistir: esta empresa não vai gastar tempo nem dinheiro na produção de uma “Barbie – Stephen Hawking que mexe o dedinho”!

- Mas nem no “Ken – Christopher Reeve“?!

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Imagine your pain as a white ball

originalmente publicado em Rascunho, em 04 de fevereiro de 2006

Estacionamento, ligeiro incômodo, COF. O susto lhe dispara o raciocínio rápido.

Ele, minutos antes, dirigindo. A cápsula, esquecida dentro do carro, intacta. Relógio, 18:37, atraso de duas horas e trinta e sete minutos. Lembranças do então recente ensino médio. Biologia: bactérias não devidamente aniquiladas, sobreviventes mais fortes. Era obrigatório engolir o remédio ali mesmo, a seco. Boca aberta, faz mira, “gulp”, foi. Gol, tá lá dentro.

Fim do flashback. As duas bolas de fumaça branca expelidas narinas afora naquele pequeno tossir agora faziam sentido. E o gosto horrível… era o antibiótico. Merda.

Dinheiro no bolso, pressa. Cantina da faculdade. Água cara, chocolate caro, idéia idiota.

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A magia do vestido

*texto completamente baseado na teoria de Lauro Montana

pty- Você viu?

- Vi o quê, vovô? A menina do vestido?

- Sim. Mais exatamente o sorriso dela. O curioso sorriso que ela deu quando aquele outro ali a cumprimentou.

- Que tem o sorriso, vovô Jorge? Achei que o senhor estava falando da calcinha dela. Tá vendo como é peque…

- As duas coisas estão ligadas, prestenção.

- A calcinha e o sorriso, vovô?

- Ele, na hora de dar o oi, deslizou rapidamente a mão direita pela cintura dela, num movimento que ia fraterno, sem dolo, até que ele sentiu a espessura da calcinha dela na cintura. Não foi mais do que um segundo, mas nesses milésimos ele percebeu que ela estava como essa calcinha fina, pequena e daquelas que qualquer um arrancaria com denteos dentes… e quando deu o segundo dois após a constatação ela olhou pra ele, incisivamente, porque ela notou que você, assim como ela, sabe que ela está usando uma calcinha fina. Sem censura, ela deu o sorriso furtivo, tão rápido quanto um piscar de seus olhos.

- Eu achei que o sorriso fosse apenas pela amistosidade do cumprimento…

- Não, ela sorriu porque ele percebeu.

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Como um pão no forno

originalmente publicado em Rascunho, em 17 de janeiro de 2006

Sentia que seus dedos queriam brincar. As mãos sentiam falta da lapiseira e da borracha, mas a cabeça estava muito ocupada com as sensações para dar atenção aos sentimentos. Os seus sentidos o inundavam com informações sensacionais. Era como se o corpo todo fossem “pés quentes” (para citar Juan Preciado, certa vez citado pela Menina Shoyo).

O texto que lhe ocorria, talvez uma letra de música, já tinha título,  “bucólica”, e teria uma temática calma e campestre,  mas cheia de cores. Falaria de doces expectativas e leves esperanças passando pela cabeça, num movimento muito semelhante a brancas nuvens contempladas num céu azul, dessas que  são  facilmente identificadas com outras coisas por olhos lúdicos e inocentes quando deitados confortavelmente na grama. Citaria obscuramente algum trecho de algum autor famoso, na intenção vã de que alguém reconhecesse e o elogiasse.

http://www.satugalleria.net/kuvat/business/nukkumat.jpgMas não vai ser dessa vez. Mais uma vez. É que se às vezes, entre o clique da luz e o começo do sonho, ele até chegava a sentir alguma coisa – de uma forma absolutamente harmônica e criativa, iam se acumulando e mesclando memórias, que encadeavam alguma saudade, certa auto-piedade, considerações incertas sobre auto-estima, num crescendo promissor… – de repente Morfeu resolvia passar cavalgando carneirinhos e a ele só restava perceber que  sua própria consciência  já não era exatamente o seu território naquele instante. Um evento criativo bastante irônico.

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Solução problemática

Sempre que vejo números sobre a indústria automobilística brasileira eu fico extremamente consternado. Os resultados positivos sempre foram muito comemorados, como sinal de uma economia robusta e em crescimento. Agora, em tempos de crise econômica mundial, o aumento da produção de carros é lido como algo extremamente positivo, para os empregos por exemplo, e soa como uma solução para os problemas. Sou radicalmente contra, pois os carros, em si, são um problema.

Antes da crise, o grande tema da pauta mundial era o meio-ambiente. Desde os esforços de John Kerry até o filme dos Simpsons, todo mundo tava muito aí para os problemas do planeta. Achei que isso fosse repercutir na mentalidade mundial, mas pelo jeito, não fez um efeito profundo. O Dia Mundial Sem Carro, por exemplo, é ainda um evento para sonhadores e luta por tranporte público digno é uma utopia.

Carros são máquinas interessantes, mas muito pouco Read the rest of this entry »

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Abaixo às tarifas altas!

mplPeço atenção às pessoas que residem em Brasília e deixo, com a palavra, o Movimento Passe Livre:

O QUE? ATO DO MPL-DF: ABAIXO ÀS TARIFAS
QUANDO? SEXTA-FEIRA, 06/02/09 ÀS 18 HORAS
ONDE? NA RODOVIÁRIA DO PLANO PILOTO
QUE HORA? 18 HORAS Read the rest of this entry »

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