Hiperfície

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Unificação de numerosas intervenções do autor na Hiperfície

Nós, a rede

O histórico julgamento espetacular do The Pirate Bay, que conta agora nove dias, vai desvelando, como se poderia esperar do direito achado na rede, uma mobilização empolgante a favor da livre circulação de informações, traçando novos contornos para os aspectos patrimoniais do direito autoral.

Um fato que já havia chamada atenção foi a manifestação pública do Ministro da Educação do governo norueguês, Bard Vegar Solhjell, que em seu blog se pronunciou a favor de abraçar a causa do compartilhamento de arquivos pelo sistema P2P.

Agora seu partido, o Rødt (Vermelho), lançou uma iniciativa, chamada “É assim que um criminoso se parece“:

Compartilhar arquivos é bom, permitindo às pessoas compartilhar música, filmes e cultura. Hoje quatro dos pioneiros do compatilhamento de arquivos estão em julgamento na Suécia, em mais uma tentativa das indústrias do cinema e da música de parar a inovação e o desenvolvimento tecnológicos pela força.

Mas não são as pessoas por trás do Pirate Bay que trocam arquivos. Somos nós, os milhões que usam o site deles. Eles pegaram as pessoas erradas. Nós não vamos desaparecer ainda que a acusação ganhe essa causa, nem vai desaparecer a tecnologia que nos permite compartilhar músicas e filmes que nós amamos.

Deixe a indútria do cinema e da música saber quem são os compartilhadores de arquivos.

Carregue uma foto sua e mostre a eles como um cirminoso se parece.

Trata-se de uma proposta irônica, que guarda alguma semelhança com o argumento central da obra O Alienista: se legalidade (sanidade) é não compartilhar arquivos, então somos todos criminosos (loucos)! Além do que é uma afronta declarada às pretensões da acusação, que pode até jugar e punir os idealistas, mas nunca a idéia.

filesharer

Eu já fiz a minha parte, com todo o orgulho. E se você também compartilha arquivos, faça o mesmo. Mais do que a voz de um partido político norueguês, ou de um julgamento na suécia, esse é um momento de manifestação expressa e de positivação da vontade de um novo sujeito coletivo mundial: a rede.

Ainda não estamos assinando uma constituição formal, mas sem dúvida se trata de um momento contituinte de um novo direito, construído e significado através da rede, pela rede e para a rede.

Arquivado como:Hiperfície, direito, direito achado na rede, momento diário , , , , , , ,

12 Responses

  1. [...] de libertá-lo é pirateá-lo. Pirateá-lo com o sentido do termo “pirataria” revalorizado pelos internautas, contra a distorção proposital que a indústria cultural tem promovido, de forma cada vez mais [...]

  2. [...] libertá-lo é pirateá-lo. Pirateá-lo com o sentido do termo “pirataria” revalorizado pelos internautas contra a distorção proposital que a indústria cultural tem promovido, de forma cada vez mais [...]

  3. [...] libertá-lo é pirateá-lo. Pirateá-lo com o sentido do termo “pirataria” revalorizado pelos internautas, a partir da distorção proposital que a indústria cultural tem promovido, de forma cada vez mais [...]

  4. [...] A propaganda da Opera pega carona na idéia do “mais poder para o povo“, em outros termos, mais força para “nós, a rede“. [...]

  5. [...] irá mudar o mundo. O futuro a ser construído depende das pessoas mesmas, usuárias da internet, essa rede mesma, com seus incontáveis nós, esteja mobilizada para esse fim. Ou como argumenta James Boyle, em sua elegante defesa do domínio [...]

  6. [...] do que usar outros meios para compartilhar arquivos de forma gratuita e livre, é hora de os internautas brasileiros atuarem como um sujeito coletivo de direito, capaz de contribuir para a construção de uma nova [...]

  7. MHL disse:

    Eu vivo compartilhando arquivos de ciencia “com dono” por meio do site 4shared.com. Posso ser contra o Direito Achado na Rua (e como!), mas estou gostando do Direito Achado na Rede !

    abração
    MHL

  8. [...] Discografias. A iniciativa é ótima, mas considero ainda tímida se comparada, por exemplo, com a machadiana “É assim que um criminoso se parece“, do Partido Vermelho na [...]

  9. Paulo Rená disse:

    Como disse, o princípio do Alienista: se sanidade não é isso, então eu prefiro ser doido!

  10. Liliane disse:

    Já divulguei este post no Twitter, apesar de eu ainda achar coisa de gente doida, coloquei meu avatar lá… :P

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