Pare tudo que você estiver fazendo. Tudo mesmo. E leia isso:
Vou fazer uma pausa aqui, logo no início do meu fascinante artigo sobre atenção, e pedir-lhe o favor de tirar agora do seu sistema todas as suas preciosas distrações do século 21. Verifique o placar do jogo dos Mets; envie pra sua irmã aquele trocadilho que você acabou de pensar sobre o novo lagarto de estimação da companheira de quarto dela (iguana hold your hand LERDA pensa nos Beatles); atualize o seu e-mail do trabalho, seu e-mail de casa, seu e-mail da escola, carregue fotos de você lendo este parágrafo para a sua lista de fotos do Flickr chamada “eu lendo artigos de revista” e alerte os concidadãos de qualquer que seja a Twittertopia que você frequenta de que você irá suspender sua presença digital pelos próximos vinte minutos mais ou menos (eu sei que parece drástico: diga-lhes que você está tendo uma apendicectomia ou algo assim e está prestes a perder a consciência). Bom. Agora: conte sua respirações. Feche os olhos. Faça o que for preciso para obter todos os seus neurônios alinhados em uma direção. Acima de tudo, resista a urgência de olhar a foto, logo ali, daquele bagunçado cara esquisito digitando. Não especule sobre a etnia dele (germano-venezuelana?) ou sua história de vida (Programa de Proteção à Testemunha?) ou o tamanho do monitor dele. Vá em frente e cubra-o com a mão se você precisar. Pronto. Isso não lhe faz se sentir melhor? Agora é só você e eu, escondidos como mestres zen do décimo quarto século nesse pequeno recanto doce do puro foco mental. (Sério, pare de olhar para ele. Eu estou aqui.)
Trata-se da tradução do início do excelente artigo “Em Defesa da Distração: Twitter, Adderall, hackeamento de vida, exercício pra memória, navegação forte, o BlackBerry do Obama e os benefícios da sobreestimulação“, de Sam Anderson, publicado na Revista Nova Iorque em 17 de maio de 2009 (mais uma vez, dica do ultrajovem João Telésforo).
O autor aborda os riscos e possibilidades para essa coisa complicada que é a concentração, partindo da infinitude de informações disponíveis simultaneamente no mundo da Hiperfície (claro, sem usar o termo). Fiquei particularmente empolgado, porque essa sobrecarga de informações se liga diretamente ao conceito de complexidade, com o qual trabalho (via Niklas Luhmann) em minhas pesquisas e estudos acadêmicos. Sem falar que o negão da foto me lembrou muito… a mim mesmo.
Mas se o parágrafo introdutório não foi suficiente para lhe convencer da mistura de bom humor e a seriedade do texto, e se você não for eu mesmo, veja a conclusão, que bacana:
As crianças que crescem agora podem ter um gênio associativo que nós não temos — um senso de como todos os dez projetos se fundem em algo totalmente novo.Elas podem ser capazes de se engajar na contradição aparente: navegar na rede concentrados, twitar concentrados.Talvez, nos voos da responsabilidade irresponsável, elas até consigam atingir o paradoxal estado Zen da distração focada.
Bem, agora que você sabe como começa e como termina o texto, que tal o desafio de ler na íntegra? Você tem concentração suficiente disponível?
Arquivado como:Hiperfície , BlackBerry do Obama, concentração, distração, internet, Sam Anderson, twitter









Distração focada. Virou meu objetivo de vida.
É uma ótima tática! =)
Pior que não se concentrar é parar para pensar no que escrever no seu blog…
nao li tb!!! hahaha
Nossa, às vezes eu acho q não consigo me concentrar pra ler nada que seja mais longo que 140 caracteres… esse domingo acordei, resisti à tentação de ligar a TV e/ou computador e fui ler Admirável Mundo Novo. Bem a propósito, diga-se de passagem! Pois bem, li umas 20 páginas, aí o marido acordou, foi pra sala e ligou a TV. 20 páginas foi o máximo que eu consegui hehehe
E a matéria da NY Magazine? Leu =)