Hiperfície

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Unificação de numerosas intervenções do autor na Hiperfície

Deuses Jardineiros

Poema meu, originalmente publicado em Sacada, em 01/11/2005

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A música pelo ar se move como o vento
Cada nota porta uma semente de felicidade

Germinar e crescer nos corpos em movimento
Dançantes pomares fertilizados com liberdade


Na aquarela de brilhos intermitentes
Cada feixe é um sol independente
Iluminando apenas o suficiente
Aquecendo o terreno gradualmente

Na noite surgem flores desabrochadas
No rosto se abrem janelas escancaradas

As sensações se dilatam multiplicadas
Difusas na pele que precisa ser regada

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Águas de dezembro

Poema meu, originalmente publicado em Sacada, em 15/12/2005

No ritmo com que o sol altera a aquarela
O caminho entre as árvores, a ponte velha
Um desejo secreto, mãos dadas, eu e ela
O reflexo crescente na água até a queda

A liberdade dos seus cabelos flutuantes
Uma imagem de sonhos, um longo instante
Manhã entardencendo em cores brilhantes
Competindo nossas pedrinhas deslizantes

Sorrisos satisfeitos, um beijo sobre os trilhos
Topo da colina, ela em direção à cozinha
Eu, cabisbaixo, às broncas escada acima
E a inocência escorreria junto à sujeira

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Águas de dezembro

Poema meu, originalmente publicado em Sacada, em 15/12/2005

No ritmo com que o sol altera a aquarela
O caminho entre as árvores, a ponte velha
Um desejo secreto, mãos dadas, eu e ela
O reflexo crescente na água até a queda

A liberdade dos seus cabelos flutuantes
Uma imagem de sonhos, um longo instante
Manhã entardencendo em cores brilhantes
Competindo nossas pedrinhas deslizantes

Sorrisos satisfeitos, um beijo sobre os trilhos
Topo da colina, ela em direção à cozinha
Eu, cabisbaixo, às broncas escada acima
E a inocência escorreria junto à sujeira

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Dividido

Poema meu, originalmente publicado em Sacada, em 22/12/2003

O que eu mais quero e preciso
É saber como é que você conseguiu fazer isso comigo

Você abriu meu cadeado “assim”
Mesmo ele estando fechado pelo lado de dentro de mim

E a insignificância individual
Insuperável quando separados, superamos juntos como casal

Como que por mágica consigo viver
Cada dia menos inteiro, com um pedaço crescendo em você

É ainda egoísmo isso que eu sinto?
Só dispensando tal carinho a você em quem eu me divido?

Segure minha mão, deite ao meu lado
Apenas passemos esse tempo agradável
Eu não suportaria nem mesmo um dia
Se soubesse que eu nunca mais poderia
Tocá-la, abraçá-la, senti-la

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Todo bobo

Poema meu, originalmente publicado em Sacada, em 26/09/2005

O inverno agora é história
O frio não é senão memória
E nada mais importa

As palavras apenas atrapalham
Posto ser esse sentir nominável
Dizê-lo seria dispesável

Sim, de longe dá pra ver
Mas e quem poderia querer esconder
Alimente e deixe crescer

O pino não volta à granada
O peito explode em olhos de artifício
O corpo bobo é só sorriso

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Palavras

Poema meu, originalmente publicado em Sacada, em 15/10/2005

Conquanto as palavras sejam feitas para dizer
Nunca me foi dito, se é que se pode saber

Com quantas palavras eu poderia lhe dizer
As coisas que sinto e preciso dizer a você

Quando as palavras faltam sem mais nem porquê
Restam-me gestos perdidos, e eu fico à mercê

Procurando por palavras que não vão aparecer
Então apenas sigo sentindo o que sinto por você

Enquanto as palavras insistirem em se esconder
Sinto que será assim, meio que sem querer
Pelo meu modo de agir que deixarei transparecer
Pra ver se você descobre o que sinto por você

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Reforma

Poema meu, originalmente publicado em Sacada, em 07/11/2004

Perfume de flores com o cheiro de sua pele
Que me enebriasse e me deixasse bem leve
Luz de estrelas reluzentes como seu sorriso
Que me guiasse e me proporcionasse alívio

Brilho de lagos profundos como o seu olhar
Que me seduzisse e me fizesse parar
Maciez de frutas deliciosas como sua boca
Que me deliciasse e me desse força

Calor do sol tão quente quanto o seu corpo
Que me aquecesse ao ponto de flutuar
Fluxo de águas tão lindo quanto seu cabelo
Que me permitisse me deixar levar

Para refrescar um pouco a minha memória
E afastasse de mim de vez essa saudade
E para que as lembranças que tenho dela
Novamente se pudessem tornar realidade

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Um vinte do dez

Poema meu, originalmente publicado em Sacada, em 01/11/2005

Porque você é assim tão meiga
E sobretudo por ser uma menina com uma flor
É que a primavera se faz mais bela
E o mundo acima de tudo lhe tem tanto amor

E se lhe ocorrerem espinhos pelo caminho
Não sofra, haja o que houver
Tenha os sentimentos do mundo como pétalas
Bem-me-quer, mal-me-quer

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Deuses Jardineiros

Poema meu, originalmente publicado em Sacada, em 01/11/2005

A música pelo ar se move como o vento
Cada nota porta uma semente de felicidade
Germinar e crescer nos corpos em movimento
Dançantes pomares fertilizados com liberdade

Na aquarela de brilhos intermitentes
Cada feixe é um sol independente

Iluminando apenas o suficiente
Aquecendo o terreno gradualmente

Na noite surgem flores desabrochadas
No rosto se abrem janelas escancaradas
As sensações se dilatam multiplicadas
Difusas na pele que precisa ser regada

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Momento angular

Do XKCD, um quadrinho da internet de romance, sarcasmo, matemática, e linguagem, por cuja descoberta agradeço à Eterna Menina Shoyo.

O que você está fazendo?

Girando no sentido anti-horário

Cada volta retira do planeta
momento angular

diminuindo sua rotação
o menor tiquinho

fazendo a noite durar,
atrasando o amanhecer

dando-me um pouco
mais de tempo aqui

com você

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