Hiperfície

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Unificação de numerosas intervenções do autor na Hiperfície

Dever de casa

- Menino, porque tanta cor nesse monitor?

- Errei no ditado, vovô Jorge.

- Como é?!

- A professora [abre a janela de conversação do msn e escreve "vc tb errou o nome dessa T do Amaral?"]. Ela Passou um ditado e vetou o corretor automático do Word. Depois pediu pra gente montar aqui e mandar por e-mail essa tabela de [aceita arquivo e minimiza a janela do msn]10 linhas por 10 colunas, repetindo as palavras que eu digitei errado.

- E esse tanto de cores? Pq vc não só faz tudo vermelho e preto, como sempre?

- Ah, ela pediu  pra gente usar uma cor em cada coluna, variando os tons de mais claro para [twitta "eba, o vovô vai me ajudar no dever da escola"] mais escuro, de forma alternada. Vovô, isso aqui é laranja, né? Esse tom fica mais perto do vermelho ou do amarelo? [vê pular o aviso de que teve mais uma mention no twitter e dá um sorriso]

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A magia do vestido

*texto completamente baseado na teoria de Lauro Montana

pty- Você viu?

- Vi o quê, vovô? A menina do vestido?

- Sim. Mais exatamente o sorriso dela. O curioso sorriso que ela deu quando aquele outro ali a cumprimentou.

- Que tem o sorriso, vovô Jorge? Achei que o senhor estava falando da calcinha dela. Tá vendo como é peque…

- As duas coisas estão ligadas, prestenção.

- A calcinha e o sorriso, vovô?

- Ele, na hora de dar o oi, deslizou rapidamente a mão direita pela cintura dela, num movimento que ia fraterno, sem dolo, até que ele sentiu a espessura da calcinha dela na cintura. Não foi mais do que um segundo, mas nesses milésimos ele percebeu que ela estava como essa calcinha fina, pequena e daquelas que qualquer um arrancaria com denteos dentes… e quando deu o segundo dois após a constatação ela olhou pra ele, incisivamente, porque ela notou que você, assim como ela, sabe que ela está usando uma calcinha fina. Sem censura, ela deu o sorriso furtivo, tão rápido quanto um piscar de seus olhos.

- Eu achei que o sorriso fosse apenas pela amistosidade do cumprimento…

- Não, ela sorriu porque ele percebeu.

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Mito criador

Texto originalmente publicado em Rascunho, em 14/02/2006

- Vovô Jorge, aquilo ali, é tão… De onde veio?

- Simples, Pequeno: primeiro veio o invólucro, depois o recheio.

- Não entendi, Vô.

- Então vou te contar uma história. Vendo o uso inadequado quo os escoceses estavam dando à sua criação, o Criador percebeu que não era assim que deveria ser e concluiu que faltava algo. Daí…

- Ah… então… primeiro… e depois…

- Isso, Garoto: primeiro veio a saia; depois a mulher. E é assim, em dupla, que elas alcançam a beleza em sua plenitude.

- Que bonito, Vovô!

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