Hipster

originalmente publicado em Rascunho, em 12 de junho de 2007

Adjetivo, que, reformulado nos anos ’90 e ’00, indica, entre outras coisas, o estereótipo dos integrantes e devotos de indie rock, música eletrônica downtempo e estilos musicais correlatos, frequentadoes de festas pós-festa (em inglês after-party), bem como os que seguem moda – aqui incluídas as calças baixas o suficiente para mostrar os quadris (hips, em inglês)- e demais gostos associados, não sem uma certa carga pejorativa atualmente, por conta do esvaziamento se seu valor de contracultura, mas que nos anos ’40 e ’50, em sua forma pura, antes da propagação da cultura hippie, referia-se a negros tocadores de jazz e swing, passando por aficcionados, em sua maioria brancos, mas também negros, todos boêmios, vinculados à geração beat (beatniks), mormente ligados à subcultura então vanguardista cujo nome, “hip” (ou “hep”, não há consenso), tinha origem na língua africana ocidental Wolof, mais especificamente no termo “hepicat” (alguém que têm os olhos abertos), de forma que sua etimologia extremamente complexa dispensa qualquer historinha mais bem humorada que pudesse dar mais sentido ao vocábulo, a não ser que se tentasse vinculá-lo, por exemplo, a alguém que, exatamente por ser tão bem “antenado”, mantivesse sempre ciência da existência de todas essas excelentes musiquinhas lançadas como lado-b de singles de bandas bacanas, singles vazados em pendrives nos banheiros de Nova Iorque ou das movimentações do Cansei de Ser Sexy pela Europa.

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