Em busca da toca do coelho

originalmente publicado em Rascunho, em 18/09/2004

Dona Alice sentia-se tão orgulhosa da filha adolescente, que por nove longos meses carregara; por cujo choro tantas vezes acordara de madrugada; por quem tanto rira ao som das primeiras palavras, do primeiro sorriso, o primeiro “mamãe”; esse lindo ser que outrora habitara um quarto cor de rosa, e que hoje tinha lá suas queridas amiguinhas, mesmo apesar daquelas músicas depressivas, dos piercings e da tatuagem, do cabelo e das unhas pintadas de negro, das roupas com frases e desenhos estranhos, sem falar no curso da faculdade que ela cursava, nada semelhante aos glamourosos Medicina, Direito ou até engenharia.

Mais do que tudo, Dona Alice, que também já ousara se deixar levar pela toca da curiosidade quando criança, especialmente por conta das histórias de um tal Luís (que não passava de um falso), limitava-se a rezar antes do jantar para que um dia o destino de sua filhota fosse lapidado por um casamento, que viesse a colocar a vida da filha nos trilhos, assim como ocorrera com ela própria, hoje conhecida como a corretíssima Srª. Carlos Ludovico.

2 pensamentos sobre “Em busca da toca do coelho

  1. Pingback: Olhos de madeira do cerrado « Hiperfície

  2. Pingback: Senta que lá vem a história « Hiperfície

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s