Que venham as flores

Nunca gostou daquela atitude generalizada entre suas amigas, que sem nenhum romantismo lhe insistiam que “a fila anda“. Seu coração não é nem nunca foi guichê e seu amor nunca foi serviço público, ora bolas. E ela odiava fila. E ia odiando também o mundo. E já se tinha convencido de que não tinha cura praquele sofrimento: a vida é isso e não fica melhor.

Até que, estressada no trânsito, quase sem esperança, meio que do nada (talvez tenha sido a referência a serviço público), ela se lembrou da dica daquele amigo distante e resolveu sintonizar a tal rádio, que ele insistia em lha recomendar, exatamente no momento em que leves acordes e o sussurrar de uma versão inesperada para um hino brega do cancioneiro nacional lhe desabrocharam no peito a nova estação de sua vida.

2 pensamentos sobre “Que venham as flores

  1. Sei que vc é fã do Caetano, mas conhece a versão do Moska? Prefiro. É mais rápida, mais sofrida, um pouco angustiante. Adoro! Qq coisa mando pra vc depois.

    Bjo!

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