Aí vindes outra vez, inquietas sombras

Por meses adiei o contato com Beirut. Vários bons amigos me indicavam a banda, como recomendação. Hesitei, posterguei, colocava-o ao lado de Gogol Bordello, como banda que no futuro mereceria a minha atenção: “agora não, depois” – pensava eu.

De Gogol Bordelo, Madonna e seu filme “Filth And Wisdom” foram cicerones. Já comecei a baixar discografia e ler sobre. Agora é a vez da inusitada dupla Machado de Assis e Rede Globo me forçarem a abraçar uma devoção (mais uma) que eu evitava. E tudo por um livro que li há mais de dez anos.

cptSim, ouvi  Elephant Gun na minissérie Capitu e escrevo tendo como motor uma paixão avassaladora pelos versos e melodias captados pelos meus ouvidos entre uma e outra cena dos encontros onírico-realistas de Bento e Capitolina.

Talvez passado o ardor da empolgação com a microssérie, perceba que a música não é lá essas coisas. Mas creio que não. Creio que palavras como “deixe as estações começarem” têm eco em meu peito. Um eco surpreendente, especialmente considerando minha incursão entre os versos e rimas pautada pela obsessão em associar  poemas às estações do ano, por meio de sentimentos quadripartidos.

De qualquer forma, peço que não condenem, mas que parabenizem a equipe de Luiz Fernando Carvalho pela iniciativa de adaptar Dom Casmurro para a TV no ano do centenário da morte de Machado. De solo de Jimi Hendrix a versão orquestrada para Black Sabatth, essa série é uma oportunidade única de vermos algo bom na telinha.

Se pudesse, manipularia o ibope a picos inéditos, para forçar a produção de mais obras como essa, riquíssima visual e auditivamente, indescritível em sua totalidade artística. Com os pés no chão, penso que apenas o Peer to peer e, quem sabe, o YouTube poderão suprir minhas necessidades posteriores de rever o que hoje inunda meus olhos de prazer. Um verdadeiro Videolivro machadiano!

Fiquem com o clipe e a letra traduzida de Elephant Gun. Percebam como a estética do vídeo remete ao visual da microssérie.

Clique aqui e baixe o single Elephant Gun

If I was young, I’d flee this town
Se eu fosse jovem, eu fugiria dessa cidade
I’d bury my dreams underground
Eu enterraria meus sonhos sob a terra
As did I, we drink to die, we drink tonight
Como eu fiz, nós bebemos paramorrer, nós bebemos hoje à noite

Far from home, elephant guns
Longe de casa, armas de elefante
Let’s take them down one by one
Vamos derrubá-los um por um
We’ll bring it down, it’s not been found, it’s not around
Vamos trazer abaixo, não foi achada, não está em volta

Let the seasons begin – it rolls right on
Deixe as estações começarem – ela rola direitinho
Let the seasons begin – take the big king down
Deixe as estações começarem – derrube o grande rei
Let the seasons begin – it rolls right on
Deixe as estações começarem – ela rola direitinho
Let the seasons begin – take the big king down

Deixe as estações começarem – derrube o grande rei

Awl…

And it rips through the silence of our camp at night
E rasga o silêncio do nosso acampamento à noite
And it rips through the night, oh, I, I, I
E rasga a noite, oh, eu, eu, eu

And it rips through the silence of our camp at night
E rasga o silêncio do nosso acampamento à noite
And it rips through the silence, all that is left is all that i hide
E rasgam o silêncio, tudo que sobra é o que eu escondo

11 comentários sobre “Aí vindes outra vez, inquietas sombras

  1. Fala Rená,
    é o makaeh, lembra de mim? Só queria deixar registrado que o seu blog é a primeira entrada do google paras a busca ‘Aí vindes outra vez inquietas sombras’. Boa coincidência ter achado teu post.

    Abraços!
    makaeh

  2. Pingback: Paulo Rená da Silva Santarém (prenass) 's status on Tuesday, 01-Sep-09 22:48:14 UTC - Identi.ca

  3. Pingback: Esta noite a perigo: Xerife entra em ação « Hiperfície

  4. Querido Rená,

    Como já conversamos, também estou apaixonada pela microssérie. Também não sei se a música é realmente tudo isso, mas ela nos desperta emoções e nos ativa a memória (sempre ela) para a nossa interpretação do livro, quando o lemos, e para agora, na TV, para a estética empregada, as imagens, a mistura de estilos para contar uma história (universal) do século XIX. É simplesmente fantástica.
    Obrigada por escrever este post. Fez meu dia (cheio de audiências e pessoas chatas) bem mais feliz.
    Beijos,
    Carol

  5. Querido Rená,

    Essa música também me despertou diferentes percepções… pode ser, realmente, apenas a surpresa de ver que o “videolivro machadiano” deu certo, ou de reviver a emoção de recuperar na memória (sempre ela…) as sensações e significados de um livro lido há 10 anos…
    Obrigada por escrever sobre isso!
    E por que está nevando?
    Beijos!!!!!

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