O julgamento espetacular

Segue nota oficial* assinada por The Bureau for Piracy and The Pirate Bay sobre o julgamento pela Justiça Sueca, o chamado Spectrial.

Antes chamo atenção para o tom coletivo do texto (em especial na parte da “construção do futuro”), que revela uma assunção consciente do poder do direito achado na rede. Nas notícias já se pode perceber que os resultados estão sendo positivos para a democracia (além, é claro, de episódios que já nascem folclóricos, como a já famosa defesa King Kong). Mas já se delineam alguns riscos para os direitos dos internautas pelo mundo afora, que analisarei ao fim do julgamento.

*Tradução orgulhosa de um internauta a partir de versão em inglês.

Bandeira pirata flamulando durante o julgamento do The Pirate Bay

Bandeira pirata flamulando durante o julgamento do The Pirate Bay

O julgamento contra The Pirate Bay que [começou dia 16 de fevereiro de 2009] em Estocolmo, Suécia, é uma das questões mais importantes de nosso tempo. Nosso adversário basicamente que fechar a internet e remodelá-la em algo semelhante a uma maquina de refrigerante servindo entretenimento. Durante o julgamento, os promotores juntos com um círculo de representantes de um modelo de negócios falido irão armar um teatro fajuto ao contar histórias designadas para convencer a corte de que The Pirate Bay na verdade é uma ameaça à sociedade.

O que difere esse julgamento da maioria dos julgamentos anteriores é que tudo dentro e em volta de sua pretensão irá circular e circular em diversos canais de comunicação; para ser discutido, reinterpretado, copiado e criticado. Cada falha no recurso deles será penetrada pelo olhar de milhares sobre milhares de olhos na internet, e todos os canais cobrindo o julgamento. Velhos clichês do lobby anti-pirataria não vão colar. Você não será capaz de dizer coisas como “você não pode competir com grátis” ou “compartilhamento de arquivos é roubo” sem mil vozes rindo de você.

Nós vamos criar numerosas cenas onde jogos bem diferentes terão lugar. Em canais locais como spectrial.bloggy.se onde os arredores físicos imediatos da corte serão discutidos: “quais cafés nas proximidades nos darão conexão?”, “Como nós podemos levar eletricidade para o Ônibus?”; mas também em canais internacionais como Twitter, onde agora mesmo a torrente de informação está sendo traduzida para quinze línguas diferentes. Traduções e coberturas feitas por usuários comuns da internet. Voluntários se alistam para fazer guias dos arredores para turistas-processuais, dirigir o ônibus ou armar o áudio. Pessoas voando de países distantes para cobrir o julgamento e contar ao mundo suas histórias em vídeo da Suécia que eles vêem.

Aqui todos os participantes são potenciais atores no Spectrial. Nossos canais formam um caldeirão de reportagem e engajamento.

Nossas comunicações sobre o espetáculo não almejam de forma nenhuma uma reportagem objetiva sobre uma cadeia externa de eventos. Em vez disso, o julgamento é um concentrador em torno do qual toda uma nova rede de atores está instigada. Nem é o espetáculo uma questão de velhas mídias contra mídias digitais, sociais. Nossas midias sociais incluem um fanzine de papel e um ônibus de 32 anos, conectando-nos com outros fisicamente.

Não é sobre o protocolo nem a tecnologia. É sobre usar-los para criar novas congregações, onde qualquer um é convidado e qualquer um pode achar seu papel, construir novas cenas e fazer suas próprias performances.

O futuro é construído por nós. Nós que participamos nas conversas. O futuro é construído por nós que exploramos como informação e performatividade estão se unindo. Negar-se a debater e ainda esperar ser capaz de cobrar consumidores é desde já uma porta fechada. Também tentar e banir certos tipor de conversações é certamente vergonhoso.

A cobertura do julgamento não é única nessas qualidades. Mais e mais áreas vêem essa criação de conversações e a exploração de novas instâncias na cultura e na economia cultural. Uma exploração coletiva gigantesca içou as velas. Cada rota difere da outra. Mas elas tem um coisa em comum. Os interesses da indústria que o estado está representando nunca estão presentes nessas conversações. Esse é o porquê eles não serão parte na construção do futuro.

6 pensamentos sobre “O julgamento espetacular

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