Pirateiem-me por favor!

O título da matéria de Kerstin Sjoden publicada há duas semanas pela Wired é emblemático: “Documentarista do Pirate Bay espera ser pirateado“. O testo busca se manter neutro na questão, sem se posicionar contra ou a favor do compartilhamento de arquivos, dando destaque mesmo para a opinião do cineasta que está colhendo material para a produção de um documentário sobre o Spectrial. Taí um filme que antes mesmo de nascer já conta com uma demanda indiscutível.

Se você não quer exercitar seu inglês no site da revista, segue a minha tradução integral:

O cineasta sueco Simon Klose está fazendo um documentário sobre o movimento pirata na Suécia, centrado no julgamento sensacional dos caras por trás do serviço de rastreamento de torrents The Pirate Bay

“Eu não ligo. O processo me envolve também, e minha luta por sobreviver como um cineasta”, diz Klose, 34, em uma entrevista por telefone, dada em Malmo, Suécia. “A indústria tem que achar novos modelos de negócios”.

O julgamento do The Pirate Bay acabou em 3 de março e é esperado que o juiz dê um veredito em 17 de abril. Pete Sunde, Gottfrid Svartholm Warg, Fredrik Neij e Carl Ludnström: cada um encara dois anos de prisão e $180.000 em multa pela alegação de “contribuição para infração de direito autoral”, por manterem um site pirata que alega 22 milhões de usuários.

Como a indústria da música, a do cinema está experimentando um período dramático, de alguma forma desesperado, com a emergência de novas abordagens para distribuição e vendas e novas estratégias para desenvolver audiências. Klose vê seu documentário do Pirate Bay como um caminho para lidar com essas mudanças. Ele acredita que diferentes modelos podem coexistir e complemetarem um ao outro, e que ainda é possível fazer dinheiro mesmo se seu filme está disponível como um download gratuito.

“Eu acredito em espalhar a cultura livre, mas ei também tento ter o filme financiado tradicionalmente”, diz ele.

Klose já fez vários documentários e vídeos musicais. Um exemplo é o seu “Doces Memórias do Centro de Jardinagem” [Sweet Memories Garden State], sobre dois irmãos que abadonam uma vida de crime para abrir uma floricultura em Soweto, Africa do Sul. Ele foi apresentado na televisão sueca. Além do documentário sobre o movimento pirata na suécia, ele também está trabalhando num projeto sobre pressoas sem teto no Japão.

Klose não está interessado em fazer uma história rígida sobre o julgamento. Ele conta que está mais excitado em observar o processo do que fazer entrevistas ordinárias, e que ele já gravou quase 70 horas de filme, cobrindo todos os tipo de atividades no movimento pirata.

“Eu acho que é importante gravar constantemente”, afirma Klose. “Se você o faz, as pessoas que você está filmando eventualmente começam a ignorá-lo e mostram a você quem elas realmente são. Meu objetivo é retratar as pessoas por trás do circo da mídia”.

É seguro dizer que é um tópico delicado o que ele escolheu explorar. O Pirate Bay é frequentemente descrito de uma de duas maneiras radicalmente diferentes: Davi enfrentando Golias – o segundo sendo a behemotha indústria do entretenimento – ou uma organização ilegal ameaçando a existência de artistas trabalhadores de verdade.

Os três fundadores foram chamados de ciberhippies, heróis e nazistas. Svartholm Warg alega, com sua barba longa, fina, ter até iniciado uma nova tendência de pêlos faciais na Suécia.

Klose não espera que seu documentário esteja pronto em breve. Não parece muito que o processo legal estará finalizado em abril, a menos que os acusados sejam integralmente absolvidos. Um apelo será provavelmente apresentado perante o Tribunal de Recurso e o caso pode acabar na mais alta Corte da Suécia.

“Eu vou seguir todo o processo até o fim, antes de começar a editar o filme”, diz Klose. “Esse é um processo de magnitude histórica”.

Um pensamento sobre “Pirateiem-me por favor!

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