Pirateando Jackson / Michael Livre

Pirateando Jackson / Michael Livre por você.

Para ver o leilão, clique na capa do EP, com assinaturas de pessoas da EFF, da Mozilla, do The Pirate Bay, entre outros

Trata-se de uma campanha para angariar dinheiro e atenção, a partir da imagem do astro Michael Jackson somada à controvérsia jurídica em torno do The Pirate Bay (veja o apoio de Peter Sunde no twitter).

Está em  leilão no Mercado Livre uma cópia de um compacto produzido no Brasil, contendo as faixas Thriller, Human Nature, Beat It e Billie Jean e autografado por pessoas centrais na luta pelo software livre e a cultura livre. O prazo para encerramente é 10 de julho, aniversário de um ano do retorno do  projeto de lei dos cibercrimes (AI-5 Digital) do Senado para a Câmara dos Deputados.

InícioFSFLA logoO dinheiro arrecadado com a venda será inteiramene doado, metade para a Fundação Software Livre e metade para a fundação do Partido Pirata do Brasil.

Somos co-responsáveis pela idéia e pela execução Rodrigo Lobo Canalli e eu, Paulo Rená da Silva Santarém.

Venha dançar e concorra a um vale-camiseta!

Leia as matérias sobre a campanha que saíram no Terra Tecnologia, no Info Plantão, na Folha Online e nos blogs Travessias, DiabaQuatro e As Simple As Dancing;  veja a banda Woohoos cantando Give In To Me e lendo poema; e acompanhe a divulgação pelo twitter.

SEXTA-FEIRA ENCERRAMOS A CAMPANHA, NA LANDSCAPE, EM BRASÍLIA: NA FESTA DISCOTECA KAMIKAZE, COM SORTEIO DE VALE-CAMISETA DA VERDURÃO

O LEILÃO ACABOU EM R$200,00. Em breve mais notícias!


Ontem rolou o apoio da Kingdom Comics e do DJ Montana: em breve, vídeo da festa! Por enquanto, fique com minha versão pirata para Billie Jean



O sentido da coisa toda

Michal Jackson, um verdadeiro “astro”, foi também ele uma vítima da indústria cultural. Michael precisa ser liberto. E a forma de libertá-lo é pirateá-lo. Pirateá-lo com o sentido do termo “pirataria” revalorizado pelos internautas, contra a distorção proposital que a indústria cultural tem promovido, de forma cada vez mais intensa.

Alguma empresa de camisetas quer produzir e doar uma

Alguém bem poderia produzir e doar esse trabalho do _baggas_

As alterações feitas na capa do disco que estamos vendendo foram para enfatizar, como bem disse Peter Sunde, que cada cópia é única, por si só. Mesmo entre cópias, não há iguais. Há semelhanças, mas há também diferenças.

Resolvemos intensificar as diferenças com autógrafos de pessoas relevantes na luta pela liberdade na chamada era digital. Jovens e velhos que pensam um mundo mais livre e que enxergam a internet como um meio para viabilizar essa melhoria no mundo. Um caminho virtual para uma mudança real.

Arte por _baggas_

Outra versão

A morte de Michael Jackson não precisa ser apenas um estopim para mais uma rapinagem por parte da imprensa. Pode ser um momento de reflexão. Não apenas sobre a vida do Rei do Pop, mas sobre as dificuldades que a indústria musical trouxe para a sua vida privada, por meio da exploração de sua vida pública.

O nascimento da idéia

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péssima foto tirada logo depois que tivemos a idéia

No Mercado Público de Porto Alegre, ao som de um samba no violão de muito boa qualidade, Rodrigo Canalli e eu descansávamos de um dia produtivo no 10º Fórum Internacional de Software Livre. QUando li no celular a notícia de que “Itens ligados a Michael Jackson já custam milhões na internet“, Rodrigo anunciou: vamos fazer um experimento!

Voltei à banca. Meta: comprar mais discos. A primeira idéia era o Thriller, o álbum mais vendido. Mas o que vi estava muito escrito, optei pelo Dangerous, duplo, a R$ 15. Seria o último disco bom lançado, e tal. Mas o acaso fez com que eu me deparasse com esse compacto bastante curioso, feito no Brasil pela própria Epic. Por um “troco” de R$ 5,00, comprei o que se tornou “o” disco. Não demorou para percebermos o valor do que tinhamos em mão:

Caso o Youtube esteja bloqueado, tente ver os vídeos no Flickr

No dia seguinte, fiquei responsável pela coleta das assinaturas que iriam incrementar o valor do disco, e fazer com que ele ampliasse o âmbito de interesse. Não queríamos apenas ser mais alguém leiloando pedaços do MJ. Queríamos ser alguém que criticasse essa postura e com ela fizesse algo de bom.

No dia seguinte, a caminho do Fórum Internacional de Software Livre, tudo começou com a aquisição de um jogo de canetinhas hidrocor por empolgantes R$ 3,50.

Assinaturas: TPB, TOR, FCF, EFF e MF

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Caso o Youtube esteja bloqueado, tente ver os vídeos no Flickr

Caia fora

EFF e Mozilla Foundation

O famigerado Peter Sunde (The Pirate Bay) em marrom, Simon Klose (cineasta) em marrom, Jacob “PedoBear” Appelbaum (TOR Project) em azul e Elizabeth Stark (Harvard, Yale, integrante da Free Culture) em verde e  foram, nessa ordem, os primeiros a assinar o disco. Depois consegui ainda as assinaturas de Mark Surman (Mozilla Foundation) em laranja e de Seth Schoen (Electronic Frontier Foundation) em vermelho.

Richard Stallman

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Paulo, sósia do Rodrigo, Stallman, GNU e Rodrigo

Quando pedi apoio, Stallman se negou a auxiliar. Argumentou apenas que não gostava das músicas do Michael Jackson. E foi isso.

Esse pai do GNU/Linux é um sujeito bastante peculiar, de trato bastante trabalhoso. Exige, mesmo de seus “aliados” argumentativos, o não uso do termo “propriedade intelectual”. Segundo ele, o mero uso dessas palavras reforça um inimigo do software livre: idéias não têm donos, não são objetos possíveis para uma propriedade.

Por essas e outras, apesar da negação, hoje faço parte da Free Software Foundation e parte da renda irá para a fundação dele. Ajudei bastante durante a tirada de fotos com os presentes ao FISL. Mas Stallman exigiu, enfaticamente, que eu ressaltasse ser essa é uma iniciativa com a qual ele não concorda.

Jon Maddog Hall

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Jon Maddog apresenta o Projeto Cauã no FISL 10

Jon Maddog Hall, diretor executivo da Linux International,  também se negou. Por duas vezes. Primeiro ao final da excelente palestra sobre o Projeto Cauã – Computação Sustentável. Depois durante uma sessão de autógrafos na parte central do Fórum. Mas ao nos ver desconsolados, percebeu do que se tratava e perguntou: eu preciso apenas assinar isso? Foi então que ele escreveu “Boa sorte  Michael, onde quer que você esteja”.

Caso o Youtube esteja bloqueado, tente ver os vídeos no Flickr

Recado dado, pedimos então encarecidamente que, primeiro, você se dê ao trabalho de sair de cima do muro, live it off the wall: circule essa idéia. Use sua rede social (twitter, indetifacebook, orkut, HI5, WindowsLive, etc) em prol da cultura da liberdade. Assim você estará contribuindo para que a morte de Michael Jackson crie um mundo melhor, ou como ele diria, Heal The World and make it a better place, for you and for me and the entire human race:

Pirateando Jackson / Michael Livre por você.

Clique na imagem para ver o andamento do leilão

Segundo, caso você tenha algum interesse em ter consigo essa cópia específica, dê você também um lance e dê dinheiro para a causa. Para dar um lance ou saber qual foi a proposta mais alta até agora (o valor incial era R$ 1,00), dê uma olhada no Mercado Livre, produto: Michael Livre.

Claro, você pode ouvir as músicas do Michael Jackson de inúmeras outras maneiras, que vão desde uma roda de violão com amigos até uma edição especial de luxo de um LP. Mas a idéia aqui não é prestigiar a mídia, e sim a música. Alguma outra vez você já comprou uma única mídia física e ajudou tanto assim a imagem do artista de que você é fã?

Clique aqui e veja o que Peter Sunde (The Pirate Bay) twittou sobre a campanha!Clique aqui e veja o que Peter Sunde (The Pirate Bay) twittou sobre a campanha!

38 pensamentos sobre “Pirateando Jackson / Michael Livre

  1. Pingback: Wanna Be Startin’ Somethin’ « Hiperfície

  2. Li o seguinte comentário no InfoPlantão:

    Pirataria e software livre não tem nada a ver. Isto está me parecendo oportunismo de advogados que querem aparecer e ganhar dinheiro em cima do trabalho de Michael Jackson queimando a reputação das comunidades de software livre. Sacanagem!
    enviado por: Manuel Lemos em 08/07/2009 – 17:19

    Respondi o seguinte:

    Manuel,

    Pirataria e Software livre têm, sim, muito a ver. São coisas diferentes, mas estão ligadas. Chamar atenção para isso é uma intenção central da campanha.

    Bom, nós não somos advogados, somos juristas (estudamos direito e trabalhamos com direito mas não advogamos profissionalmente) mas, sim, estamos sendo oportunistas. Estamos aproveitando a oportunidade da morte do Michael Jackson para chamar atenção para alguns problemas relacionados. Um deles, a exploração indiferente que nossa cultura ocidental tem feito de seus ídolos populares. Outra, a forma como a pirataria pode contribuir para a eliminação dessa lógica perversa. Terceiro, a forma como a liberdade dos programas de computador é um caminho necessário para que haja a liberdade cultural que permite a pirataria.

    Não é sacanagem. Quer dizer, é sim. É sacanagem com a indústria cultural que tenta, de forma forçada, manter as coisas como eram. Estamos sacaneando esse pessoal de frente e de forma aberta.

    Obrigado pela atenção.

    • Claro que pode. É uma “reação”, no mínimo.🙂
      Então, José, primeiro, eu agradeço a participação na campanha. Mesmo a crítica é importante. Aliás, só há diálogo se houver um “outro”, alguém que pense diferente. Se não é só monólogo, uma conversa consigo mesmo.
      Como dito por mim nos comentários no seu post, prometo lê-lo e escreve algo. Entrou na fila de “coisas a fazer”.

  3. Pingback: Sobre artistas e piratas « Abluesado

  4. Pingback: DiabaQuatro Roupa Urbana - Camisetas e Bolsas originais com estampas exclusivas! » Blog Archive » Piratear para libertar!

    • Borém, acho que o disco, a mídia, é passível de ser propriedade de alguém; o que está gravado nele, não.
      As idéias não são passíveis de propriedade; as informações, as notícias, a arte, o pensamento: a cultura. O que é imaterial não pode ter dono.
      Sobre isso, recomendo a leitura do livro Domínio Público, do James Boyle .

      • É, em termos, aquilo que não é palpável não pode ter dono. Mas pergunto: é justo para aquela pessoa que concebeu determinado conteúdo (seja ele música, cinema, literatura…) não ganhar por seu trabalho (lê-se esforço, horas de estudo para chegar num patamar PROFISSIONAL) só porque produz um bem imaterial? Não acho isso justo pois, se todas os profissionais do mundo recebem por seu trabalho, por que com o artista deve ser diferente?

        Algo aí não está bem esclarecido… =)

        • Um artista possa ganhar dinheiro com a sua arte é um dado positivo. O século XX tornou isso bastante plausível e até cotidiano.
          Mas isso não depende de o artista ser proprietário de sua arte. Não precisa depender. Basta pensar que a arte não é uma “coisa” que você possa dividir ao meio e vender a metade.
          E aí? Bom, há propostas e possibilidades. Eu não sei A resposta. Mas sei que a “propriedade intelectual” tem barrado, escravizado a cultura. A cultura humana se tornou uma parideira de dinheiro.

  5. Pingback: AIPI recomenda que o Brasil permaneça na lista de vigilância em 2009 « Hiperfície

  6. Pingback: Pirateando Jackson / Michael Livre « Blog do Rabay

  7. A lei é essa, quanto mais alto estiver o valor mais foca a mídia vai dar. Então é só alguém ficar dando uns lances virtuais pra dar uma subidinha.

  8. Bem lembrado pela Quel, tente divulgar esse lance para a indústria interessada que pode fazer algo mais. Apesar de termos forças para alimentar a ideia, isso não é o suficiente.

    • Não é suficiente mesmo. E eu estou tentanto tudo o que me ocorre. Vejamos até onde vai.
      E acabei de pensar num plano para tentar aproveitar a dispo$ição de que der um lance e não levar o disco.🙂

    • Quel, a gente realmente não tinha pensado nisso. Vou falar com o Rodrigo, ver o que a gente pdoe fazer.
      Eu já estou com vergonha de pedir às pessoas conhecidas que façam um lance no leilão exatamente por isso.
      Talvez fosse a hora de alguma empresa tentar “aparecer” e fazer um lance “de verdade” pelo disco!

  9. Demais a idéia. Só acho que pra potencializar a idéia ela devia cair pra gringa. Vamos universalizar isso aí. Bota em inglês, que muito mais gente vai ter acesso a idéia. Traduz aí, que a idéia vira mais idéia livre! hehe

  10. Entonces, a ideia é até bem legal e a história é melhor ainda. Apesar de apoiar, e muito, este lance do software livre e não sou favorável as ideias do Partido Pirata. Acredito que se vc não tiver uma lei de patentes e copyright a maioria das empresas simplismente deixarão de investir em pesquisas. Acho que as duas coisas podem existir!! Agora quanto a esse lance do Michael Livre é meio incondizente, uma vez que, segundo a mídia, o próprio Michael possuia os direito de copyright de metade das músicas dos Beatles!! De qualquer forma a iniciativa merece atenção!! Sucesso na empreitada!!

    • 1 – A Proposta de um partido pirata é para viabilizar institucionalmente, no Estado, um caminho efetivamente legítimo para as discussões relacionadas a software livre, liberdade de expressão, cultura livre etc.

      2 – As empresas fizeram muito pelas pesquisas. Mas também atrapalham muito. De qualquer forma, é bom separar patentes de direito autoral, além de marcas registradas. São problemas ligados, mas distintos.

      3 – O Michael Jackson não foi apenas uma vítima inocente da indústria cultural maléfica. Ele fez parte. Ele ganhou mas também perdeu. E perdemos todos juntos. E também ganhamos. A briga aqui é em cima dos prejuízos, sem negar os benefícios.

      4 – Obrigadasso, Tostelinha!

  11. Nunca nem tinha ouvido falar desse Partido Pirata do Brasil, mas se é por uma boa causa, to dentro!! Gostei dessa idéia aí de, mesmo cópias, não há nenhuma igual a outra! Interessante! E vc, Paulo Rená, pra variar envolvido com essas fantásticas idéias mirabolantes ne….! Beijo

  12. Muito boa iniciativa!! Se vc aceitar pagamento a prazo eu até faço uma oferta.
    De qualquer forma, “Heal the world” não sai da minha cabeça…acho que vou fazer muitas boas ações hoje.
    Sucesso!

  13. Bela iniciativa, é uma intervenção válida e inteligente. O momento pede discussão de valores de compra e venda de imagem, ainda mais quando se tem um alvo de exposição midiática como Michael.
    Parabéns.

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