Justiça 2.0 pra todo mundo ver

Com atraso de um mês, está marcada para hoje, às 18h, a assinatura de um acordo de cooperação entre o Supremo Tribunal Federal e o Google, para veiculação gratuita de vídeos da Corte no YouTube. É um passo importante em direção ao novo mundo da cultura digital, mas que traz novas questões para o debate sobre o papel de um “Estado 2.0”.

O YouTube se mantém agregando publicidade ao conteúdo gerado pelos usuários, apostando mais na relevância dos vídeos do que na qualidade. Essa relação sofre um desequilíbrio brutal quando um órgão do Estado se dispõe a gerar conteúdo direta e especificamente.

Assim, será que a gratuidade do serviço e a popularidade do serviço de hospedagem são suficientes para essa opção?  Lembremos que nesse mesmo ramo há vários outros serviços privados gratuitos que auferem lucro com publicidade. Aliás, haverá limites para as propagandas agregadas aos vídeos do STF?

Falando em limites, os vídeos estarão protegidos por copyrights ou carimbados com copylefts ou creative commons? Vale citar que a gigante Warner levou um ano negociando e fechou um contrato de bases não reveladas. E aludindo à polêmica sobre o Blog do Planalto, as pessoas poderão veicular respostas aos vídeos, ou comentários riticando o fundamento e resultado das decisões?

Numa perspectiva pública mais ampla, não deveria o Brasil investir numa opção própria, não privada, de publicização de suas atividades estatais? A cooperação com o Google está sendo firmada em caráter provisório, ou estamos matando no berço possibilidades de um serviço público de vídeos, livre e gratuito?

Quaisquer que sejam as respostas, não creio que seja o caso de impedir o trato, que é, sem dúvida, um avanço no campo da comunicação institucional. Há uma evidente preocupação em ampliar a visibilidade do Poder Judiciário, o que é louvável. Não esqueço que sou um grande entusiasta da tecnologia.

Mas não podemos simplesmente nos deslumbrar e abrir mão de uma postura crítica. Vivemos um mundo que a cada dia multiplica as possibilidades de interação entre a sociedade e suas instituições. Nessa nova realidade, intensificada em sua velocidade e amplitude, devemos partir do pressuposto que dificilmente nossas antigas categorias fornecerão explicações adequadas.

Vale a pena ficar de olho no conteúdo do acordo e aproveitar o clima de abertura na comunicação para apontar todos os eventuais desvios e problemas nessa iniciativa.

2 pensamentos sobre “Justiça 2.0 pra todo mundo ver

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