Formulários, planos e relatórios

originalmente publicado em Rascunho, em trẽs partes, entre 07 e 20/11/ 2006

Tenho responsabilidades suficientes para que não me sobrasse tempo sequer para parar e escrever estas inutilidades. Mas se me dedicasse da forma que me é exigido para que tudo fosse feito com a devida atenção, ao fim do dia eu estaria esgotado.

Ocorre que quando deito a cabeça no travesseiro não me sinto senão entediado. Assim como quando me levanto ou em qualquer momento entre uma coisa e outra.

Tais responsabilidades são exigências que decorrem de um passado com o qual eu não mais me identifico. São requisitos formais para que eu conclua uma etapa da minha vida que para mim já está concluída. Esse descompasso é a razão do meu desinteresse.

Mas a sociedade é pró-forma, e eu falar o que quer que seja não irá me dispensar dos encargos de provar que eu realmente fiz as coisas que fiz, sei aquilo que sei e passei pelo que passei. Requerem-me resultados objetivamente comprovados, não bastando tê-los atingido, ainda que isso tenha demandado tanto esforço.

Há prazos a serem cumpridos e sinceramente eu não ligo. Esse é um problema remediável que terei de resolver sozinho. Só não sei ainda como poderei me convencer a querer algo que sei que não quero, e que nem vejo razão para querer.

Se dependesse da minha vontade, as responsabilidades não existiriam. Mas elas existem e o único modo de alterar isso é cumpri-las. Esse é o infortúnio.

2 pensamentos sobre “Formulários, planos e relatórios

  1. Rapaz, isso é clássico.
    Significa que você está vivo e em constante movimento.
    A solução vai se colocar diante dos olhos quando você tiver reunido os pré-requisitos para encontrá-la. E pra isso cada pessoa tem um tempo.
    Como você disse, sempre há demandas vindas de fora – tanto acadêmicas, quanto familiares e até conjugais. Mas o que esgota mesmo é quando você as absorve e começa se cobrar no mesmo sentido.
    Procure apenas evitar esse mecanismo de auto-censura, que o resto vem com o tempo, por si só.
    E mantenha a mente aberta para aproveitar a novidade que está por vir – qual seja. Pode crer, será boa.
    Um abraço!

  2. Meu bruxo,

    Foi um prazer ter-te conhecido pessoalmente. Temos que tentar fazer isso mais seguidamente.🙂

    Esse texto é bastante emblemático: é bem complicado tentar ser um cidadão da república das letras, como no meu caso (mundo acadêmico). Mas aos poucos, a coisa vai…😉

    Te cuida! Tu vais tirar de letra essas incomodações!

    []’s,
    Hélio

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