Resista à misoginia: não chame mulher de “louca”

Uma lista de pontos de vista, exclusivamente de mulheres, explicando, por diversas perspectivas e com muitos argumentos, porquê é misógino desqualificar qualquer mulher (seja ela Dilma Rousseff ou Janaína Paschoal), em qualquer situação, chamando-a de louca.

Acusar uma mulher de louca porque ela está exaltada é machista, é desonesto e é incoerente, não importa a quem esta acusação seja dirigida: se a mim, à Presidenta ou a uma advogada golpista. Essa ofensa provém do mesmo machismo e dos mesmos conceitos pequenos.

Janaina Paschoal não está ou esteve possuída – aliás, a pomba gira é uma entidade da umbanda que merece o devido respeito. Também não está louca – se fosse um homem que estivesse em seu lugar, alguém o chamaria de histérico ou desequilibrado?

Ela é fascista. Ponto.

Janaina Paschoal não é louca: é fascista, por 

Apenas para deixar bem claro que a performance exagerada da advogada nada tem a ver com gênero ao qual pertence. Ou seja, nada justifica a utilização de termos jocosos tipicamente utilizados para adjetivar mulheres como forma de criticar sua postura. Acha que isso não é machismo? Então, veja como é difícil imaginar um homem referindo-se a outro como histérico, surtado, descontrolado e dramático…

Nem da direita e tampouco da esquerda: machismo não pode ser tolerado, por Djamila Ribeiro

A questão central não é se Janaína pode ou não pode ser criticada, mas sim como ela tem sido cobrada por seu discurso. Chamá-la de louca não pode ser a única via possível de argumentação. Se apontamos que o machismo é estrutural e atinge a todas as mulheres, mesmo que em níveis e características diferentes, porque não incluiríamos Janaína nesse guarda-chuva? A plasticidade do machismo é a principal barreira na busca de uma sociedade mais igualitária para mulheres, pois ele se molda de acordo com cada situação e de maneiras subjetivas.

O machismo não é apenas uma estrutura de poder de homens contra mulheres, mas um sistema de poder sobre corpos, desejos e subjetividades. Afinal, ele é visto como um local de poder, como um espaço de dominação através do qual a docilidade é executada e a subjetividade construída.

Por que chamar Dilma e Janaína de ‘loucas’ é um retrocesso para as mulheres, por

Pode até soar como bobagem para quem não faz a mínima noção do quão forte esta violência é e no quanto torna-se difícil reverter suas consequências (para não dizer, impossível). Até porque, uma vez dada como “a louca”, a mulher carregará esta sombra para onde quer que ela vá e se este mesmo rótulo sair em letras garrafais num veículo de comunicação de circulação nacional, as proporções extrapolam a imaginação mais fértil.

Não importa se você é da grande mídia ou um indíviduo fazendo graça no Facebook. Chamar uma mulher de louca, como o único intituito de desqualificá-la não é argumento pra nada e não te faz superior à ninguém. Principalmente, se você for homem.

Não adianta ser por Dilma e chamar Janaína de louca, por

A tentativa de enquadrá-la como “louca” é a arma dos que não conseguem lhe rebater os argumentos.

Sobre Janaína Paschoal, por Dora Kramer

A mídia apresentou sua faceta machista ao engendrar uma pseudo-análise política pautada apenas e tão somente no suposto péssimo estado emocional da presidente. Paschoal foi (sem querer ou deliberadamente, jamais saberei), porta-voz da faceta mais fascista de um Brasil embebido em ódio a/político.

Nenhuma das duas apresenta, na realidade, comportamentos que as identificariam como loucas.

Toda mulher que ousou dissentir já foi, ao menos uma vez, pintada como louca. E como bem disseram as manas do Think Olga em uma postagem relacionada, “conhecemos na pele o peso que tem essa tinta”. Por isso não aceitamos que descrevam nenhuma das duas como tal.

Sobre gaslighting, loucura, histeria, fascismo, mídia e machismo, por Joanna Burigo

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